The Rocky Horror Picture Show

Cai o pano. Aqui está, por fim, o verdadeiro nome do “Projecto T”. É com o maior dos prazeres que anunciamos que os Invisible Cats, aqueles que neste momento, isto escrevem, estão a fazer um remake deste magnífico filme. Porém, antes que se comente, de boa ou má vontade, a opção que fizemos de produzir um remake de um filme (seja ele bom ou mau, conhecido ou desconhecido), certos parâmetros necessitam de ser clarificados. Em primeiro lugar, é necessário explicar como chegamos até aqui.

Este é um filme que nos atraiu desde o primeiro momento que o vimos passar nos nossos televisores. O seu imaginário, as suas personagens, o próprio vestuário, e claro, a sua música fabulosa, redobraram o nosso gosto, abriram os nossos olhos a diferentes mundos e perspectivas. Da mesma maneira que um K. Dick altera a nossa consciência perante a identidade, da mesma maneira que um Dark City nos dilacera o cérebro em dois, da mesma maneira que um outro nome qualquer de uma outra arte qualquer nos envolve em pensamentos que nos fazem questionar a morte, a vida e as suas amigas, também o Rocky Horror nos movimentou em direcção ao abismo de Nietzsche. Evidentemente, a difícil decisão de fazer um remake desta obra de arte atravessou muitos problemas e adversidades, como por exemplo o acto de soltar uma jóia como estas para o mundo exterior, que poderia denegrir ou dispersar a imagem original do filme, ou pior ainda, o atirar ao público comum um Rocky Horror  e fazê-lo de forma vergonhosa e desastrosa. Porém, a vontade da obra prevalece sempre sobre a do artista, transparecendo ao mundo que a vê a sua existência universal e a insignificância daquele que a cria. Como tal, se o Rocky Horror pedia para ser visto, se o filme implorava que o refizéssemos e o mostrássemos ao mundo pelos nossos olhos, como poderíamos nós alguma vez recusar este pedido? Como poderíamos, aliás, ambicionar um desinteresse total pela voz da obra, quando esta vinha do interior dos nossos próprios corações? Assim, recebemos a ingloriosa notícia da nossa própria traição. Fechamos os nossos cérebros a toda e qualquer resposta celestial. O filme pedia a nossa história, e nós assim o fizemos.

Quando em meados de Setembro, numa busca desesperada por ocupações enfadonhas e inteligentes descobertas em baús desperdiçados, descobrimos um pequeno filme de 1975 com o título interessantíssimo The Rocky Horror Picture Show, não fazíamos ideia do enorme número de trabalhos em que nos estávamos a meter. À primeira vista, era um mero filme musical, com homenagens bizarras à ficção científica das décadas de 30, 40 e 50. Um enredo que envolvia uma mansão assustadora, e uns lábios voadores estranhamente sedutores. Mas jamais nos poderemos esquecer do momento em que o primeiro acorde soou nas colunas do televisor, porque os olhos ficaram colados até ao momento em que os créditos finais abandonaram o ecrã. O vício começara apenas a controlar o corpo. Durante algumas semanas, as músicas permaneciam na cabeça, os personagens insistiam em tomar-nos pela calada, envolvendo o nosso modo de pensar, a nossa forma de construir um pensamento, envolvendo mesmo as nossas identidades. O filme tornara-se o nosso pequeno culto interior. Porém, e porque nem tudo é perfeito em Sodoma, na monotonia das nossas vidas reais, envolvidos em teias de aborrecimento e em intrigas completamente desinteressantes, entramos num transe absoluto. Viver tornara-se, afinal, um caminho para a morte. Sem uma cenoura para nos orientar, caíamos incessantemente num tédio senil, que insistia em puxar-nos para uma areia quente, da qual não parecia existir fim. Um dia, pela noite, decidimos rever o filme, e ouvir as músicas na escuridão da noite. O cérebro quebrou como um pequeno ovo. Todo o ar exterior à consciência invadiu a nossa gema, e o conhecimento penetrou toda a letargia. No interior do mundo dos sonhos, nasceu a ideia. Corremos para o telefone, contactamos alguns daqueles que conosco tinham trabalhado anteriormente, e formou-se então o pequeno e minúsculo desejo de se fazer alguma coisa com a vida. Embora o medo das falhas e do ridículo se apoderasse de nós, sabíamos que este filme merecia ser feito, merecia ser mostrado, merecia ser solto ao nosso mundo. E tudo por uma simples razão.  Não existe nenhuma produção do Rocky Horror Show em Portugal, pelo menos que tenhamos conhecimento. Coreia do Sul, Brasil, Nova Zelândia, Austrália, Singapura. Todos estes países fizeram a sua própria adaptação da peça (antes de em 1975 se tornar um filme, Rocky Horror era uma peça de teatro, estreada em 1973) e todos estes países colocaram a sua identidade na obra. E nós, meros plebeus, seguidores do grande Richard O’Brien, decidimos que o filme/peça/musical merecia renascer nas nossas mãos.

E em segundo lugar, é necessário esclarecer que não pretendemos fazer uma versão definitiva da obra. Trata-se de um remake com traços de homenagem, uma espécie de Temptation of Saint Anthony, no meio cinematográfico.

Prometemos mais detalhes para breve, mas para já, é tudo o que podemos dizer. Obrigado a todos aqueles que manifestaram o seu apoio até agora. Esperamos fazer um filme digno de se exibir a todos aqueles que o possam ver com olhos reais.

Invisible Cat Productions

Cat Got Your Tongue?

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